
el sueño de la razón produce monstruos
Escrever sobre as coisas deste mundo é sempre muito difícil. Inventamos signos, cifras, símbolos, metáforas, alegorias e antes de tudo: a palavra. E é, inevitavelmente com ela, que temos que escrever sobre as coisas deste mundo e a dificuldade está no caráter paradoxal de todo signo: ser limitado e ilimitado ao mesmo tempo. A palavra não cabe o ser mas ao mesmo tempo dela jorra uma fonte inesgotável de significados aos quais o ser é intrínseco. A palavra é ambígua, e ao mesmo tempo nela residem o dito e o não dito. A palavra é objeto mas ao mesmo tempo evoca a subjetividade inerente ao ser. A palavra é muda se não há alguém para dizê-la e nós nada somos sem as palavras que acolhem nosso ser.
Tradicionalmente, existem dois caminhos: o caminho da razão, onde as palavras seguem "denotativamente" a busca pelo esclarecimento ou o caminho da poesia, onde a palavra, propositadamente, exalta seu aspecto conotativo que lhe é intrínseco. O grande mérito do poeta talvez seja prospectar entre/dentro do abismo das palavras suas profundas revelações, mesmo sem se dar conta disto. O poeta é obrigado a se desvencilhar da teia da razão e enfrentar tête a tête a palavra e suas vontades, esta, como sua redenção ou seu verdugo é a possibilidade única de existência. Se o sono da razão produz monstros o poeta é aquele que distraidamente adormece sua razão acreditando ainda estar em vigília. Distraídos venceremos como disse o mestre Leminsk. E enquanto a razão produz monstros e tenta combatê-los o poeta enfrenta a monstruosidade do desejo, do sentir.
PS. Ontem assisti ao excelente show de Makely Ka e Maísa Moura que convidaram a cantora Titane para o Conexão Telemig Celular de Música. Makely é um artista impressionante pois consegue conciliar o mérito de bom instrumentista com o de "agitador cultural", é um eminente poeta e ainda um excelente compositor. O show, repleto de sutilezas, me inspirou!
Escrito por francesco às 16h42
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