sejamos planos
de rota e fuga
em costas de pulgas
em sorvetes azuis
em cima dos postes
londres, paris madmosele
pura em nudez sistemática
sou sombra de dúvidas
que pago em dia
sem juras de ardor
do barro ao silêncio plasmador
tão fútil e esmagador
sobra o letreiro
o falatório
o sujo viveiro
de palavras tortas
nas palavras mora um ruído
que atormenta o ouvido
a vida toda é um ensaio para um grande e iminente espetáculo que nunca acontecerá
e os outros querem suspirar
e sentir calafrios
só pra dizer que já lhes coube
um pranto vazio
seus silêncios não produzem versos
pois eu no meu grito
encho os abismos
de palavras abissais
e elas flutuam e eu é que caio
do grito rouco que engulo
eu é que saio de minha boca nulo
no eterno ensaio que é existir